terça-feira, 20 de agosto de 2013

A GERÊNCIA DAS MULHERES NO SÉCULO XXI

Ao longo da história, os papéis de liderança sempre foram atribuídos à figura masculina, especialmente na era patriarcal, quando os cargos de chefia com autoritarismo alimentava o falso conceito de que essa era a melhor forma de comandar. No entanto, nessas últimas décadas esse perfil tem sido mudado, pois, percebeu-se que se lidera melhor com estilo democrático, incentivador e flexível e essas características a mulher desempenha naturalmente, desde a liderança no lar ao mais alto cargo de gerência em qualquer área. No presente século, está explícito que o “modus operandi” de administrar é subjetivo e complexo e que o indivíduo carece não apenas de conhecimentos, mas, habilidades e, sobretudo atitudes, inclusive na superação de seus próprios limites, que por sinal as mulheres têm se destacado e assumido papéis que outrora só eram exercidos pelos homens, a exemplo clássico temos a atual presidente do Brasil, a Sr.ª Dilma Rousseff.

É perceptível que a concepção de a mulher ser considerada de acordo com a tradição inferior, sexo frágil, até mesmo que só serve para cuidar dos filhos e do lar está ultrapassada, pois temos visto ao longo das últimas décadas, principalmente desde o início deste século a mulher tem ocupado cadeiras que até então foram sentadas somente por homens em todo o seu histórico, que é o caso da atual presidente do Brasil, a Sr.ª Dilma Rousseff.

Concordamos com Paulo Silvino Ribeiro (2013) quando diz que:
“Hoje as mulheres não ficam apenas restritas ao lar (como donas de casa), mas comandam escolas, universidades, empresas, cidades e, até mesmo, países, a exemplo da presidenta Dilma Rousseff, primeira mulher a assumir o cargo mais importante da República”.

Diante disso, procuramos enxergar a relação existente entre as barreiras e as razões que as mulheres têm enfrentado por ter assumido posição de liderança dentro de uma empresa ou no próprio seio familiar e inclusive de uma nação.

Em outras palavras, a mulher do século XXI deixou de ser coadjuvante para assumir um lugar diferente na sociedade, com novas liberdades, possibilidades e responsabilidades, dando voz ativa a seu senso crítico (Ribeiro, 2013)”.

E por fim, comparamos relatos de pesquisas aplicados aos exemplos práticos do objeto em estudo, que é a ativa gerência das mulheres no século XXI, que apesar de tudo, elas não perderam sua sensibilidade feminina de ser.

As mulheres lutam há muito pelo reconhecimento de sua identidade de gênero, buscando igualdade de valores, que até pouco tempo eram suprimidos pelo machismo; pois na virada do século XIX para o século XX a representatividade feminina vem alçando voo e aumentado seus espaços nas decisões políticas, econômicas e sociais até que pôde usufruir o direito de votar, mas que ainda hoje sofre desigualdade de salários e preconceito de gênero.

“... a passagem do século XIX para o XX ficou marcada pelo recrudescimento do movimento feminista, o qual ganharia voz e representatividade política mais tarde em todo o mundo na luta pelos direitos das mulheres, dentre eles o direito ao voto... mesmo com todas essas mudanças no papel da mulher, ainda não há igualdade de salários, mesmo que desempenhem as mesmas funções profissionais, ainda havendo o que se chama de preconceito de gênero... (Ribeiro, 2013)”.

As questões de gêneros são bem mais complexas do que a simples distinção entre os tipos de sexo, porque essas são determinadas apenas por ser homem ou mulher, enquanto aquelas se adequam ao cenário sociocultural da época vigente. As ideologias nascem, crescem e se desenvolvem até que nasça outra ideologia, ou seja, a ideia ou alguns conceitos preconcebidos variam de acordo com o desenvolvimento da coletividade; por exemplo, opinião de ontem, mulher não serve para tomar decisões; consideração de hoje, mulher é tão capaz que não raro, decide com mais qualidade do que muitos homens.

“Assim, enquanto o sexo da pessoa está ligado ao aspecto biológico, o gênero (ou seja, a feminilidade ou masculinidade enquanto comportamentos e identidade) trata-se de uma construção cultural, fruto da vida em sociedade (Ribeiro, 2013)”.

É bem verdade que historicamente temos sido ensinados que a figura do homem foi constituída para o trabalho, tomar decisões e administrar, contudo, esse machismo exacerbado impediu por muitos anos a revelação da força implícita que a mulher possui; afinal, como igualmente aprendemos desde o princípio, Deus não a tirou do lado de Adão, por acaso; entendemos nas entrelinhas que o Criador pôs igualdade desde o início.

Entretanto, a luta continua e os avanços sociais são percebidos, porém, a ala política precisa devolver à mulher seus direitos e não apenas obrigações, afinal, “todos são iguais perante a lei” Constituição Federal, caput do Art. 5.

“... a Câmara dos Deputados deu um passo importante em favor da isonomia salarial entre homens e mulheres. A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) aprovou, por unanimidade e em caráter terminativo, o PL nº. 130 /11 (Jorge Abrahão, 2012)”.

Concordo com o autor citado, que o preconceito sobre a inversão de papéis dentro do cenário familiar e social tem sido paulatinamente abolido pela sociedade, até porque contemplamos hoje homens cuidando das crianças e dos afazeres domésticos enquanto suas esposas saem ao trabalho; o sofrimento feminino foi tão degradante no início, que conduz a categoria prejudicada, buscar competir e ganhar “status” de que o índice de mulheres formadas é superior ao dos homens; diante disso a coletividade passou a dar mais crédito no potencial feminino, minimizando os conceitos equivocados a respeito da ala feminina, que ainda persiste.

“... Uma jovem com trajes de executiva chegava a casa após um dia de trabalho e cumprimentava seu marido, o qual estava ocupado preparando a refeição da família. Para surpresa desse homem, que “comandava” a cozinha e cuidava de suas filhas, sua esposa o presentearia com um carro novo... (Ribeiro, 2013)”.

O preconceito arraigado por séculos de que o lugar das mulheres é cuidar do lar e da prole é uma cultura ultrapassada que infelizmente ainda hoje se vê em alguns lugares do mundo; tratam a mulher como um objeto, sem valor, talvez por causa de sua compleição física, como se ela não tivesse sentimentos, vontades e aspirações; essa crendice passada de pai para filho tende a desaparecer, mas o ser feminino ainda enfrenta embates especialmente dentre os da própria família, inclusive com violência física.

“No entanto, o preconceito ainda se manifesta, e de maneira violenta até. São as mulheres, ao lado das crianças, as maiores vítimas da violência doméstica (Abrahão, 2012)”.

Apesar de existirem várias barreiras que se colocam na frente do desenvolvimento sociocultural feminino, como: o famoso e herdado preconceito machista, o apoio familiar na formação profissional dos entes femininos e a limitação imposta da própria ala feminina, porém, a maior dificuldade que impede de as mulheres assumirem cargos de poder, é a conciliação entre a profissão e família.

“Da mesma forma, a figura feminina foi também associada à ideia de uma fragilidade maior que a colocasse em uma situação de total dependência da figura masculina, seja do pai, do irmão, ou do marido, dando origem aos moldes de uma cultura patriarcalista e machista (Ribeiro, 2013)”.

É preciso compreender que as mulheres precisam de apoio tanto da família quanto da empresa onde trabalha, e até mesmo do governo, a fim de poder desempenhar suas habilidades enquanto profissional, apesar das cargas no lar a elas impostas.

Várias mulheres pretendem ingressar no mercado de trabalho e outras que já estão inseridas desejam ascender profissionalmente, mas que, às vésperas de assumir uma vaga ou ter que se desdobrar para dar um conforto melhor aos seus, pensam na educação e no acompanhamento dos filhos, e nas responsabilidades do lar que há tanto desempenha, logo, acabam desistindo de arriscar sua chance de manifestar sua potencialidade.

Observe o que diz pesquisa:
 “Conciliar trabalho e família é o principal fator para a falta de mulheres em cargos de liderança, mostrou estudo de “Bain & Company”, empresa global de consultoria de negócios. Dos 514 entrevistados, 45% acredita que as prioridades conflitantes são a razão principal para afastá-las das posições de gerência. Do total de entrevistados, com igual representatividade de mulheres e homens, 42% ocupa posições de gerência sênior ou executiva. Segundo o estudo, apenas 4% dos principais executivos entre as 250 maiores companhias brasileiras são mulheres e 14% dos cargos de gerência executiva são ocupadas por profissionais do sexo feminino. Somente nove “CEOs” são mulheres (Luciana Batista, 2013)”.

Injustiças sociais camufladas dentro dos vários setores da sociedade tentam sobreviver, resistir à força que a mulher tem por natureza, e não querer enxergar a potencialidade da mulher é falto de senso.

Notadamente as mulheres sentem-se prejudicadas quando seus superiores hierárquicos são homens e na maioria das vezes indicam outros homens para assumir cargos de liderança; outros chefes justificam suas decisões a não indicação de mulheres ao cargo de chefia, porque alegam que a perspectiva delas é inadequada para a empresa; e por outro lado, as próprias mulheres não são acostumadas a se autopromoverem, então, cria-se um tipo de barreira para que elas não sejam promovidas.

“Entre as principais razões para o afastamento de executivas da liderança estão: líderes do sexo masculino estão mais propensos a indicar ou promover profissionais que tenham um estilo semelhante ao seu (88%), algumas equipes de líderes não valorizam as diferentes perspectivas que as mulheres trazem para as equipes (70%) e mulheres fazem menos “marketing” de suas experiências e habilidades (57%) (Batista, 2013)”.

Apesar de tudo, vemos um Brasil, que tenta apagar os malefícios causados pelo preconceito causado as mulheres ao longo da luta delas no alcance de seus ideais, editando leis que as favorecem, como é o caso da Lei Maria da Penha.

“Da mesma forma, infelizmente a questão da violência contra a mulher ainda é um dos problemas a serem superados, embora a “Lei Maria da Penha” signifique um avanço na luta pela defesa da integridade da mulher brasileira (Ribeiro, 2013)”.

Sobretudo, os testemunhos indicam que a vontade de crescer na vida revela que a maioria das mulheres se esforça, estuda, se gradua, faz pós-graduação e se torna mestre, e continua a estudar para se qualificar ainda mais, superando as marcas e as impressões que a história lhes causou, e mesmo quando se tornam doutoras, infelizmente alguns homens necessitam de que elas façam algo a mais para que de fato sejam consideradas a altura e iguais em potencial.

Hoje, não precisamos mais de provas de que a mulher tem condições, que pode gerir uma empresa, administrar um lar ou até mesmo uma nação, tudo isso, sem deixar a desejar.

“Segundo levantamento realizado em diversos países pela consultoria “Global Entrepreneurship Monitor” (GEM), a mulher brasileira é hoje uma das que mais empreendem no mundo. Em 2011, entre os empreendedores iniciais, 50,7% eram homens e 49,3% mulheres, mantendo o equilíbrio entre gêneros no empreendedorismo nacional. O Brasil ocupa a segunda posição, com 21,1 milhões de empreendedores, dos quais 10,7 milhões pertencem ao sexo masculino e 10,4 milhões ao feminino. Outras características do empreendedorismo feminino apontadas pelo estudo é que as mulheres têm melhor conhecimento do mercado, são mais preparadas, planejam melhor e sabem integrar melhor as atividades pessoais e profissionais, o que contribui para o maior sucesso dos empreendimentos liderados por mulheres (Abrahão, 2012)”.

Não é difícil perceber no semblante de um homem ainda marcado pelo preconceito, destruidor da autoestima feminina, que ao ver uma mulher tomar uma decisão empresarial que na cabeça dele era para ser tomada pela figura masculina, sua insatisfação e incontinência brotam pelos traços da face, e vez por outra não concordam com os ideais impostos pelas executivas, e quando pouco, obedece e aceita suas ordens simplesmente para não perder o emprego.

É importante citar que no cenário global várias mulheres estão gerenciando empresas e países que diante de tão grande responsabilidade não abaixam a cabeça, pelo contrário cumprem suas funções com muita propriedade e tomam muitas decisões que envolvem uma série de consequências, no entanto, elas estão lá demonstrando que são capazes.

“Cada vez mais as mulheres ganham destaque nas carreiras, em cargos de liderança e em funções outrora exclusivas do gênero masculino, a exemplo de Angela Merkel (chanceler da Alemanha), Christine Lagarde (diretora do FMI) ou Dilma Roussef (presidente do Brasil). (Fábio Bandeira de Mello e Mayara Chaves, 2013)”.

No Brasil não é diferente, as mulheres crescem em posição de liderança, tudo isso é resultado de uma longa jornada de desafios e superação de limites.

“No Brasil, mulheres estão à frente de grandes empresas como Petrobras (Graça Foster), GM Brasil (Grace Lieblein), Magazine Luiza (Luiza Trajano) e GE (Adriana Machado) (Mello e Chaves, 2013)”.

            Esses são exemplos clássicos e atuais de gerências de mulheres bem sucedidas em seus cargos, entretanto, nos bastidores da vida, não são todas as mulheres gestoras que têm seus méritos reconhecidos, pois, suas ideias e decisões de sucesso, são atribuídas aos seus superiores hierárquicos.

Mas como a mulher não pode parar de lutar, diante da capacidade que tem, então, força e determinação a conduzirá ao topo do sucesso.

Observamos que apesar da presença feminina nos cargos de gerência, ao lado da ala masculina, ainda existe preconceito acerca da liderança da mulher em vários ramos sociais, e a reação dos homens em aceitar essa condição de paridade, continua de certa forma rígida por parte de alguns.

A ausência de apoio familiar e estatal, a tímida vontade de se arriscar no mundo machista e a cauterização incutida na convivência social de que a mulher tem que dirigir o apenas o fogão ou controlar a vida dos filhos, toda essa pressão psicológica, tem levado muitas mulheres a desistirem de seus sonhos, em ocupar um lugar de liderança no mercado de trabalho, em tomar decisões dentro do próprio lar, e até mesmo de enfrentar uma disputa de um cargo político.

Enfim, ressaltamos que as barreiras que impedem as mulheres de assumirem posição de gerência, incentivam-nas a vencer os desafios na vida; porém, a conquista de alcançar um cargo de liderança promove uma satisfação a ser encarada como igualdade profissional de gênero pelo sexo oposto.

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